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quarta-feira, 10 de março de 2010

Crónicas da Sala de Espera

O jornalista Pedro Múrias lança hoje, pelas 18,30 horas, na Fnac do Chiado, o seu livro “Crónicas da Sala de Espera”, onde estão compiladas as crónicas que começou a escrever desde que lhe foi diagnosticado, com 45 anos, um cancro colo-rectal. Um testemunho impressionante de uma experiência única pela qual muitos e muitos passam em silêncio, em solidão.

Sigo no metro...em direcção ao Hospital de Santa Maria, onde vou finalmentecombinar as datas dos meus tratamentos de quimio e radio terapia…Ao meu lado duas estudantes a caminho da Universidade falam do novo single dos U2...
Um pouco mais à frente alguém dorme num dos bancos...
A carruagem segue meio vazia…Um homem parece rezar...
Imagino que o ouço, especulando que a oração antecipa uma visita a alguém próximo que o aguarda numa cama do hospital...
É então que invento uma espécie de delírio e visão...ouço-o…Pai Nosso que estais no céu…Tento-me, mas não o acompanho em pensamento…Antes… recordo a voz de uma das personagem do filme a "Barreira Invisível" de Terrence Malick…que vi este fim semana…
Na violência de uma batalha, travada corpo a corpo, um soldado pergunta-se:Esta maldade imensa…De onde terá vindo?(pausa)Imagino o que seria o diálogo entre o soldado americano e o homem no metro que reza…Pai Nosso que estais no céu…Ao que lhe responderia o soldado:
Como é que isto se imiscuiu no mundo?De que semente, de que raíz veio a crescer?Pai Nosso que estais no céu…Quem está a fazer isto?Quem nos está a matar? A roubar-nos a vida e a luz?!O metro pára…O homem que rezava segue viagem…Não vai visitar ninguém...Era talvez só eu que precisava que alguém rezasse por mim antes da enorme batalha que vou travar...Identifico-me com o soldado que interroga os céus, tentanto encontrar um sentido para a violência que vive e testemunha... Já no Hospital...detenho-me em frente de uma porta onde está escrito "Radioterapia"..."

domingo, 3 de agosto de 2008

Que Ambiente e que Saúde na Maia?

O facto: A Maia está entre os concelhos que registaram as taxas mais elevadas na mortalidade por Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) e na mortalidade por Neoplasias dos Brônquios e dos Pulmões (in Maia Primeira Mão).
Esta é uma das conclusões extremamente inquietantes, divulgadas dia 13 de Maio do corrente ano e mais recentemente noticiadas na imprensa local, da investigação científica “Análise da Mortalidade e dos Internamentos Hospitalares por Concelhos de Portugal Continental”, desenvolvida por investigadores de renome e suportada pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge e a Fundação Merck Sharp & Dohme.
Trata-se, efectivamente, da primeira de três fases que o estudo prevê, a análise geográfica dos factores ambientais e socio-económicos em saúde, em que se caracteriza a distribuição geográfica da mortalidade e dos internamentos hospitalares verificados por concelhos de residência, em Portugal Continental. Tal como se refere no início, uma das constatações do estudo, que nos diz directamente respeito, é que o concelho da Maia é um dos mais prevalentes, a nível nacional, na mortalidade devido a doenças pulmonares graves e cancros malignos.
A segunda parte do estudo, a decorrer ao longo do presente ano, pretende avaliar se a variação concelhia da mortalidade e dos internamentos hospitalares pode ser parcialmente explicada pela exposição da população a factores ambientais geograficamente diferenciados, pela variabilidade geográfica de factores sociais e económicos ou ainda pelos desiguais estilos de vida das populações.
Enquanto ficamos à espera desses resultados e face à realidade já identificada, particularmente preocupante para o nosso concelho, o centro de gravidade do problema coloca-se, desde já, nas áreas da saúde e do ambiente. Ainda mais quando se sabe que a Maia terá um dos mais elevados índices de capacidade instalada em termos de rede de transporte de energia eléctrica de muito alta tensão, de estações de base de telemóveis, de outras antenas de rádio e de emissão de metais pesados provenientes da indústria siderúrgica.
A conclusão (intermédia): Nestas circunstâncias, os cidadãos da Maia esperam que as autoridades tomem medidas imediatas, no mínimo, de cariz preventivo e paliativo através: (i) da monitorização continuada de radiação electromagnética no concelho, em sectores como a electricidade e as telecomunicações móveis bem como das emissões poluentes de outros agentes; (ii) do incremento da rede de serviços públicos de cuidados de saúde disponível, de modo a dar resposta célere aos cidadãos já afectados.
(in Maia Primeira Mão, 25 de Julho de 2008, pág. 2)