terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Quero é viver!...
A folia, a alegria que a fantasia, a imaginação e a criatividade proporcionam ajudam a encarar as coisas de um modo diferente que, não raras vezes, simplifica e soluciona o que antes parecia complexo e difícil.
Então, aproveite-se este último dia de folia carnavalesco de 2009 com o conforto de que o que interessa é viver...
"Vou viver
até quando eu não sei
que me importa o que serei,
quero é viver
Amanhã
espero sempre um amanhã
e acredito que será
mais um prazer
e a vida
é sempre uma curiosidade
que me desperta com a idade
interessa-me o que está para vir
a vida
em mim é sempre uma certeza
que nasce da minha riqueza
do meu prazer em descobrir
encontrar, renovar, vou fugir ao repetir"
(António Variações)
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Tristezas não pagam dívidas...
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Quem é o gostosão daki?...
Sou eu, sou eu, sou eu.
Vou te levar pra cama
Vou te deixar toda nua
Vou te morder, vou te lamber safada.
Você vai ficar tesuda
Vou te abraçar, vou de beijar.
Vou te deixar nas nuvens.
É loucura de amor
Eu sou força total
No sexo sou campeão
Vamos fazer amor
Quem é o gostosão daqui?
Sou eu, sou eu, sou eu.
Quem é o gostosão daqui?
Sou eu, sou eu, sou eu.
Quem é o gostosão daqui?
Sou eu, sou eu, sou eu.
(Jammil)
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Capela de Santo António, Castelões








Para anunciar ao povo a sua disponibilidade, dispõe o mordomo da confraria de potentes instalações sonoras por onde passam “a la diable” cantares que as emissoras não transmitem.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Sr. Vereador Mário Nuno Neves
Espantosa lucidez!
Crítica competente!?
É assim, sem jeito, perplexo, depois de se ler o artigo do 1ª Mão.
Por que será?
Enquanto pessoa implicada no processo de construção das Políticas para o Concelho da Maia, o senhor devia acomodar algum recato e evidenciar mais respeito pelo Sagrado.
Fica-lhe bem, digo mesmo muito bem, o reconhecimento de inteligência para além da sua.
Digamos até que, se eu fosse o JCP, nos tempos mais próximos não caberia em mim de vaidade.
Assistir, por parte do mais lúcido dos adversários, ao elogio público de um modo de estar e fazer.
Não é todos os dias que acontece.
Mas…!
Pois é, Sr. Mário Nuno Neves, todos sabemos que o objecto da sua eloquência designa-se PS e o objectivo da sua intromissão é a liquidação do candidato Mário Gouveia.
Não é nova esta sua fixação {ver “PS Maia [Exmo.(s) Sr.(s) Vereador(es)]”}.
Tem medo de quê?
É em seu nome ou em nome da maioria que lidera informalmente que pretende desacreditar o PS Maia e o seu candidato?
Convenhamos, reduzir o PS Maia à imagem do mais ilustre dos seus figurantes e condicioná-lo ao pensamento único é uma perspectiva redutora.
Creio até que os militantes mais fervorosos da maioria não partilham desse jogo mesquinho que é maledicência.
Está a chegar o momento de ser avaliado e as velhas cumplicidades da Gestão Camarária são insustentáveis, não é verdade?
Qual é o vosso programa para um novo mandato?
Como é que vão minorar as dificuldades dos maiatos?
Não lhe parece mais útil e pertinente (enquanto Vereador desta maioria) – tendo em conta a sua “capacidade de avaliação, de percepção e de compreensão de processos” – instituir novos processos que impliquem as pessoas e instituições do concelho?
Tome como exemplo o projecto “Parque Maior”: não era possível redefinir os parâmetros e avançar com um concurso público de escolha do melhor dos projectos, envolvendo as escolas (entenda-se novas gerações) do concelho?
Tem razão, senhor vereador, a democracia é uma chatice e tirando meia dúzia de iluminados isto é uma cambada de incompetentes.
Parafraseando uma pessoa muito querida – “Não tem mais nada para fazer?”.
Panascas – Declaração de voto
Quando eu era miúdo um roto assumido era uma aberração e normalmente um desajustado social.
Hoje é tudo muito diferente. A homo sexualidade é uma forma de afirmação da diferença.
Tão forte que a colocam a reclamar uma igualdade de direitos sociais, como o casamento e o ter filhos.
Eu sou democrata e aquilo que maioritariamente decidirem estabelecerá o conjunto das regras a que obedeço.
No entanto quero que saibam que ainda hoje não convivo muito bem com os paneleiros.
É verdade e até é possível que entre os meus amigos conte algum, mas a partir do momento em que isso passa a certeza, começa também a ironia. O respeito por ele enquanto igual cai abruptamente.
Por isso amigos e camaradas a minha posição é de votar contra a igualdade que esta anormalidade reclama, ainda que venha do interior do partido em que milito.
sábado, 7 de fevereiro de 2009
Parabéns Inês!
A Inês está, mais uma vez, de parabéns. Para além de, enquanto filha, ser o orgulho da mãe, é publicamente, de forma cada vez mais categórica, uma desportista que granjeia, dos seus concidadãos, crescente simpatia e admiração.Como diria o dito popular: por detrás de uma grande menina está sempre uma grande mãe!... Por isso, parabéns, especialmente para ti, Maria Luísa Barreto.
Ganhou mais um troféu. Desta vez foi em representação da Federação Nacional de Karate Portugal (FNKP), no 36º Campeonato da Europa de Karate de Cadetes e Juniores e na 1ª Taça da Europa de Karate de Sub 21, que se realizou em França (Paris), de 30 de Janeiro a 1 de Fevereiro, no mítico Pavilhão de Pierre Coubertin.
Quem conhece a Inês, percebe qualquer coisita da modalidade e conhece a escola (Clube de Karate da Maia) bem como o seu responsável (António Moreira) onde diariamente treina, sabe bem que esta medalha é mais uma de muitas que ainda virão!
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Mário Gouveia, Candidato do PS à Câmara Municipal da Maia
Foi aprovado pela Comissão Política Concelhia da Maia do PS, com 75% de votos favoráveis, Mário José Gomes Gouveia como candidato à Câmara Municipal da Maia, nas próximas eleições autárquicas.Mário Gouveia ocupa actualmente a presidência da Junta de Freguesia de Milheirós que conquistou com maioria absoluta nas últimas eleições. Uma vitória que adquiriu um significado emblemático já que ocorreu num dos bastiões do PSD, até então inexpugnável.
Transcreve-se, de seguida, a intervenção que produzi na citada reunião:
"As minhas primeiras palavras são para lembrar e dirigir um pensamento a três dos nossos camaradas que, não fosse a doença, hoje também cá estariam.
O Paivas Canhão, o Forte Ramos e o António Gonçalves.
Ambos lutam contra a doença com a mesma tenacidade e coragem que todos lhes reconhecemos nas lides políticas. Para eles um forte abraço e desejo de rápidas melhoras.
Camaradas,
Hoje estamos a viver e a protagonizar aqui um tempo de grande importância para o presente-futuro do PS Maia, em que nunca como agora, o nosso partido esteve tão vivo e tão plural.
Vivo, plural, coeso e forte.
Tão coeso e tão forte que está a ser cada vez mais capaz de pensar e agir por si;
Tão coeso e tão forte que, apesar de alguma hostilidade residual, tem sido capaz de gerar soluções de entendimento institucional, sem abandono das exigências democráticas que o PS reclama.
Estes são, tal como sempre ambicionamos, sinais evidentes de um Novo PS.
Um PS Maia para o qual contribuímos, com uma atitude responsável e construtiva, decisiva para a estabilização do poder na concelhia, garantimos uma credibilidade crescente. Neste modelo, faremos do PS uma referência temível aos olhos dos nossos adversários. Um PS Maia refrescado nos protagonistas e nas práticas.
Refrescado no sentido de:
· Acrescentado de novas lideranças;
· De novos militantes;
· E de respeito por todos os militantes: dignificando-os e, sempre que possível, implicando-os na mobilização e valorização das respostas que temos para dar aos desafios do nosso tempo.
Com a necessária humildade, vamos aprender mais e assim trabalhar e interagir com quem tem mais experiência acumulada. Sem vergonha de defender e enaltecer a história do PS Maia e quem a protagonizou.
Meritoriamente vamos agregar e federar a diversidade de pontos de vista, privilegiando o que nos une em desfavor do que nos divide.
É assim camaradas, sem falsas modéstias, por ser um modo consistente de encerrar um patamar de realização, onde fui (fomos) arquitecto e obreiro, que proponho a aclamação do Mário Gouveia como o candidato do PS à Câmara Municipal da Maia, nas autárquicas de 2009.
Esta Comissão tem motivos para celebrar porque apresenta:
Um militante da Concelhia, ganhador e com provas dadas, com competência política e capacidade de realização, portador de um enorme capital de expectativa.
É bem sabido, aliás como já tenho referido, que o PS Maia tem, efectivamente no seu seio, suficiente massa crítica para poder apresentar quadros capazes e credíveis, que corporizem uma alternativa socialista de que o nosso concelho tanto precisa.
É nessa Visão que continuaremos focados. Continuar a construir um PS Maia, continuar a construir um projecto autárquico e uma candidatura inclusiva, que valorize o mérito, que não só respeite a tese e a antítese mas que, sobretudo, estimule a síntese.
Dito de outra forma, queremos um PS Maia não só plural mas também capaz de valorizar o que de melhor cada um dos seus militantes tenha para lhe dar. Queremos um PS Maia saudável e equilibrado, capaz de dizer sim e de dizer não.
Hoje, pelo PS e pela Maia, é um momento para se dizer
Sim!"
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Zé Povinho
Verifiquei, porém, que a mesma carreira parou a cerca de 30 metros da saída.
Corri então tanto quanto permitiam o trânsito, a bengala que usava, os 80 anos de idade/peso e o espesso tapete de neve que, copiosamente, caía sobre a cidade-berço. Quando já estava a par do autocarro em posição de ser visto pelo motorista através do espelho retrovisor direito, a porta fechou-se e ouvi o barulho de aceleração do motor.
Regressei à Central, onde não vi funcionário no gabinete vidrado de atendimento; fora as colunas numeradas não encontrei qualquer letreiro de indicações de destino ou horário, nem ouvi informações de partida/chegada por instalações sonoras.
A título de curiosidade, acrescento que a cena ocorreu pelas 11h07 de 2009.01.09 e a camioneta da Arriva era 401.
domingo, 18 de janeiro de 2009
31 de Janeiro de 1891 - A República chegou ao Porto
Passado 118 anos, será o Porto capaz de liderar a construção da Republica para o sec. XXI?
Gravura publicada na Illustração: revista universal impressa em Paris, 1891, vol. 8 Gravura de Louis Tynayre que representa a Guarda Municipal a atacar os revoltosos entrincheirados no edifício da Câmara Municipal, durante a Revolta republicana do Porto.
Gravura publicada na revista Illustração, onde se documenta a proclamação do novo regime feita a partir da varanda da Câmara Municipal do Porto, bem como o modo como então se saudou e festejou aquela vitória da liberdade -- ainda que efémera, como dolorosamente se viu logo depois...! --, com chapéus e bengalas ao alto...Mas, a 31 de Janeiro de 1908 -- há que recordá-lo aqui também --, em plena ditadura de João Franco, depois de esmagada a reacção revolucionário republicana de 28 de Janeiro, o rei Carlos I assinou um decreto que conferia ao ditador poderes de excepção, permitindo-lhe perseguir, prender e deportar, sumariamente (ie: sem processo judicial), qualquer pessoa suspeita de republicanismo activo ou de mera insubmissão ao regime e ao governo, decreto esse que terá motivado o atentado regicída levado a cabo no dia seguinte...
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
HOMILIA proferida pelo P. Leonel, na novena de Natal, ano B, Capela de Fradelos, 21 de Dezembro de 2008
Natal vem de Dies Natalis, isto é, o dia do nascimento de alguém celebrado como aniversário hoje universalmente generalizado. Como festa o Natal tem originalmente tudo a ver com o Sol, a estrela que ilumina e aquece o nosso planeta, razão por que as religiões pagãs o adoravam, entre os deuses, como deus máximo. O Sol, como sabemos, tem dois nascentes, um diurno a Oriente e anual no Solstício do Inverno situado antigamente a 25 de Dezembro. Foi, sobretudo entre os Romanos, a maior festa religiosa de sempre chamada Natale Solis Invictus, Natal do Sol Invencível, festa preparada pelas Saturnais, uma novena de adoração a Saturno, autêntico carnaval nocturno de excessos, orgias, e violências, de tal ordem que foi chamada Festa dos Loucos.Mateus e Lucas, que escreveram sobre o nascimento do Cristo Jesus, não o fizeram para agora nós, os Católicos, termos o nosso Natal, até porque em sítio nenhum nos é dada informação sobre a data do nascimento de Jesus, nosso Mestre. Por outro lado, por razões unicamente de aculturação, foi que a Igreja começou no ano 330 a celebrar o Natal de Cristo, Solis Justitiae, Sol-da-Justiça. Até porque a grande festa dos Cristãos não é, nem nunca foi, o Natal mas a Páscoa. O Advento, contrariamente ao que agora se convencionou, não prepara as festas do nascimento do Cristo Jesus. O Advento é escatológico, isto é, prepara-nos com a leitura dos Sinais-dos-Tempos para o regresso de Cristo no fim do Tempo.
As festas do Natal de Cristo preparam-se com a Novena do Natal, a única novena litúrgica que a Igreja realiza para substituir o que foi a novena de Saturno que preparava as festas do nascimento do deus Sol, o Natale Solis Invictus: Natal do Sol-Invencível que à medida que declinava, ao aproximar-se do Trópico de Capricórnio, ao sul do Equador, o Ano Velho ia morrendo e no Solstício do Inverno, a 25 de Dezembro, fazia nascer o Ano Novo.
Podemos perceber um pouco o que foi a Festa dos Loucos, ao olhar a ansiedade com que em todo o Mundo se celebra a passagem do Ano. O Natal propriamente dito, marcado com as festas do nascimento de Cristo, Natale Solis-Justitiae, o Natal de Cristo Sol-da-Justiça, ao longo destes vintes séculos provocou uma mudança dos costumes, de tal maneira que as famílias reúnem-se para a Ceia de Natal, tranquilamente, e depois participam na Missa do Galo, assim chamada porque é uma autêntica vigília. Mas mesmo assim, o Natal ainda é, algo louco: ai de quem faltar à Ceia de Natal!
E correm lágrimas ao lembrar os que já morreram. Muita gente não sabe que o costume de deixar a mesa posta toda a noite tem a ver com uma ideia ainda muito pagã: depois das pessoas se deitarem os Mortos têm a mesa à sua disposição. A aculturação do Natal de Cristo no Natal do Solstício trouxe-nos estas e muitas outras misturas…
À medida que as comunidades da Una e Santa, a Igreja católica e apostólica, semper reformanda, se forem renovando, pois têm o Futuro diante de si, é possível que os frutos da Aculturação continuem a renovar os costumes e a corrigir os velhos vícios. Mas a Graça precisa de tempo e de gente que não se conforma com as conquistas do que se convencionou chamar erradamente os bons velhos tempos…
E a aculturação da Evangelização não tem a ver só com o Natal. Tem tudo a ver com a Vida toda, o Ano todo. Os Profetas anunciavam Quem não conheciam. Os Apóstolos, de todos os tempos, testemunham Aquele que conhecem e que esperam a todas as horas marcadas pela Última Hora: Aquele em quem acreditamos, amamos e esperamos, é Este. Não é outro. Este que foi menino, o Menino, e que como nós nunca mais é menino. Só se é menino uma vez na Vida. Sabemos hoje, cientificamente, que tudo é singular, o Universo, a Vida, o Homem. Já o sabíamos pelo Evangelho, só que andávamos esquecidos…
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
O Advogado
Há mais de 50 anos, António Ferreira Gomes endereçara ao ditador António Oliveira Salazar uma missiva contestando a política do Estado Novo. Em 2008 reuniram-se vários intelectuais para celebrar a efeméride. Já antes, a Cidade Invicta, Nobre e Sempre Leal implantara na Cordoaria a efígie do seu bispo antifascista.Na actualidade, surge outra figura de relevo a denunciar o erro não de um só que caiu da cadeira e até morreu pobre, mas os abusos de uma dúzia de hematófagos que mancham a harmonia do progresso em Portugal.
Justo é premiar a coragem de um homem excepcional que troca a comodidade de um lugar calado pelo combate frontal contra os opressores do povo, sabendo, de antemão, que corre sério risco de ser riscado. Vejam o que aconteceu a Cristo. Pregou a Verdade. Logo, foi crucificado.
Vamos, pois, erguer uma estátua ao bastonário da Ordem dos Advogados, Dr. António Marinho Pinto.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Cobertura Jornalística "Folgosa, da Maia?!..." - Público Louvor

Mais tarde, constatei que afinal tinha estado um jornalista, no caso do Maia Hoje, a cobrir o acontecimento. De facto, quem como eu esteve no local e participou nos eventos em apreço, ao ler a peça produzida pelo Jornalista António Armindo Soares, «É necessária uma nova escola», reconhece-a como fidedigna, pela abordagem sóbria e realista, politicamente isenta e, portanto, profissional.
Num contexto tão castrante que se vive nalguns sectores da Maia, pela asfixia que o poder político dominante permanentemente exerce sobre a sociedade civil, são de enaltecer e reconhecer as boas práticas.
O meu público agradecimento e louvor ao Maia Hoje pelo Serviço Público que assim presta e ao Senhor Jornalista pelo profissionalismo que patenteou!
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Estado pode ter de recomprar dívidas fiscais que vendeu
Publico Economia - 23.12.2008 - Sérgio Aníbal
Depois de já ter substituído mais de metade das dívidas fiscais que cedeu ao Citigroup na operação de titularização de 2003, o Estado português pode agora ter de recomprar algumas das dívidas que se revelarem inexistentes. No Parecer da Conta Geral do Estado referente a 2007, ontem entregue pelo Tribunal de Contas na Assembleia da República, a entidade liderada por Guilherme d'Oliveira Martins faz um balanço do impacto da titularização dos créditos fiscais nos cofres públicos e assinala que, "nos termos contratuais, deixou de ser possível efectuar substituições de créditos depois do dia 20 de Junho de 2007, devendo, a partir dessa data, ser readquiridos pelo Estado os créditos da carteira referentes a dívidas inexistentes ou inexigíveis por factos anteriores à data de separação".A Direcção-Geral dos Impostos (DGCI) garante que até ao final do período analisado pelo Tribunal de Contas (que vai até 29 de Fevereiro de 2008) não foram readquiridos quaisquer créditos, mas o ministro das Finanças admite, em resposta citada no parecer, que "aguardam-se as conclusões dos trabalhos no Sistema de Gestão de Créditos Titularizados (Siget) para se efectuarem eventuais recompras". A dúvida está em saber, exactamente, quantos é que são, nos últimos meses, os títulos classificados como "violados", ou seja, aqueles que se verifica não existirem e que forçam o vendedor (Estado) a ressarcir o comprador (Citigroup). Os responsáveis do Tribunal de Contas assinalam que no ficheiro que lhes foi entregue pelas Finanças são contabilizados, entre Setembro de 2007 e Fevereiro de 2008, títulos violados no valor de 27,7 milhões de euros, mas que, no relatório remetido pela DGCI ao Citigroup, o valor que aparece é zero. Questionado pelo tribunal, o ministro das Finanças disse que eventuais dúvidas ficarão desfeitas quando ficar concluído "o desenvolvimento do sistema informático designado por Siget", previsto para o final deste ano. Esta dificuldade em obter informação exacta levou o Tribunal de Contas a defender que, passado tanto tempo depois do início da operação, "não é aceitável que ainda esteja por constituir um sistema informático que assegure informação coerente entre si e com os relatórios entregues ao cessionário".O Estado português já se viu forçado a entregar um número muito elevado de novas dívidas fiscais e à Segurança Social para substituir outras que se revelaram inexistentes. Segundo os cálculos do Tribunal de Contas, desde o início da operação em 2003 "51,8 " por cento dos créditos foram substituídos, correspondendo a 33,7 por cento do seu valor. Ou seja, o Estado entregou novas dívidas no valor de 3.187,2 milhões de euros. Entretanto, com tantas substituições, o ritmo de cobrança das dívidas fiscais da carteira vendida ao Citigroup começa finalmente a aproximar-se do previsto inicialmente. Em particular, entre Setembro de 2007 e Fevereiro de 2008, a cobrança ficou 49,3 por cento acima do cenário base. Deste modo, a cobrança acumulada, que nos primeiros semestres não conseguiu mais do que metade do previsto, já atinge agora um valor próximo de 75 por cento. Ao ponto do ministro das Finanças dizer ao Tribunal de Contas que, "pela primeira vez desde o início da operação (...), o cessionário pagou a habitual comissão base acrescida da comissão adicional referente ao prémio previsto sempre que o grau de execução acumulado seja superior a 75 por cento". A operação realizada em 2003 pela então ministra, Ferreira Leite, continua a fazer-se sentir nas contas 51,8% dos créditos cedidos ao Citigroup que já tiveram de ser substituídos por outras dívidas, representando 3.187,2 milhões de euros ou 33,7 por cento do valor total da carteira
domingo, 4 de janeiro de 2009
Bem-vindos!
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Mário Gouveia - O Candidato do PS Maia
O PS Maia é inequívoco na convicção de quem deve liderar o projecto do PS nas próximas eleições autárquicas de 2009.Acredito que os maiatos também aprovarão essa convicção!
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
" ... Depois, que as respostas para a crise são.... "
1 . O ano de 2008 está a chegar ao fim e não deixa saudades. Foi o ano em que se desencadeou a grande crise global - melhor dito, as várias crises: financeira, económica, energética, ambiental, alimentar e, a pior de todas, político-moral ou crise de valores -, o ano em que houve múltiplas catástrofes naturais e conflitos terrenos: no Oriente Médio, onde tudo se agravou; em África, no Zimbabwe, especialmente, onde Mugabe está a dar cabo de um país em cólera, em sentido médico e político, sem que a comunidade internacional ouse intervir para pôr fim ao genocídio, dada a cumplicidade culposa de africanos e outros; entre a Índia e o Paquistão; no Afeganistão, cuja situação se anuncia pior do que no Iraque, com o agravamento do terrorismo em rede, cada vez mais sofisticado e actuante, bem como com as acções de pirataria ao largo da costa da Somália... E, contudo, o ano de 2008 também nos trouxe coisas boas. Acima de todas a vitória esmagadora de Barack Obama e a contagiosa onda de dinamismo que desencadeou em favor de uma mudança profunda na América e no mundo. Mudança de políticas (internas e externas), de desígnios, de objectivos afirmados, que valem como promessas e que mobilizaram a juventude, a inteligentzia, os centros científicos, as universidades, o universo do cinema, das artes e da cultura, tendo lançado o Partido Democrático, numa fase de intensa renovação criativa e influenciado profundamente a sociedade americana, incluindo o Partido Republicano, no que tem de melhor.Claro que Obama, antes mesmo de tomar posse, se transformou rapidamente num mito - um novo Roosevelt - para os americanos e para os não americanos. As dificuldades com que já está confrontado são tremendas e, obviamente, não pode fazer milagres. A crise vai levar tempo a vencer, assim como a paz no Médio Oriente, especialmente no Afeganistão (onde os invasores sempre perderam) e contra o terrorismo global, que tem vindo a atacar outras regiões, para além do Ocidente.No entanto, há um vento de esperança que sopra da nova América, que inicia um caminho seguramente muito diferente, a partir de 20 de Janeiro de 2009. Um vento contagiante para a União Europeia e para outras regiões do vasto mundo, que pressionam a voltar ao multilateralismo, ao respeito por todas as culturas e religiões, ao diálogo com o que é diferente, para assegurar a paz, ao plurirracialismo e, numa palavra, aos Direitos Humanos, tal como foram expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos, que em 10 de Dezembro último comemorou 60 anos.O modelo económico-financeiro vai mudar - está mesmo no epicentro da mudança - após o descrédito total do neoliberalismo. Como muitas outras coisas - como a teoria de menos Estado, da "teologização do mercado" e a teoria da supremacia do economicismo sobre a política. Por isso escrevi, num artigo que publiquei no El País, em 17 de Dezembro de 2007, intitulado: "2008 - Um Ano de Viragem". E não me enganei. Tenciono, de resto, transcrevê-lo em livro que publicarei no ano que entra (2009), juntamente com outros artigos, conferências, textos e intervenções que fiz em 2008.2. Os sapatos da ira. Bush resolveu - triste ideia! - fazer uma viagem de despedida ao Iraque. Parece não ter compreendido ainda o mal que fez - e os crimes que em seu nome se cometeram - com a invasão unilateral do Iraque, à margem das Nações Unidas, sem qualquer respeito pelos Direitos Humanos e invocando falsos pretextos, o que se demonstrou depois. Uma desgraça em termos globais que marcou para sempre os seus mandatos presidenciais. Como diz o nosso povo: "O pior cego é aquele que não quer ver."Talvez julgasse que iria ser recebido com flores, como um libertador em triunfo. Para isso deve ter imaginado um cenário televisivo, ultra-apologético e ultradispendioso, controlado por uma multidão de seguranças. Mas o tiro saiu-lhe pela culatra. A tragédia terminou em farsa. No momento em que fazia a conferência final de imprensa - que devia ser uma apoteose - deu-se o impensável: um jornalista atirou-lhe dois sapatos à cara (o gesto mais desprezível que se pode fazer a alguém, no mundo árabe, segundo dizem). Só não lhe acertaram em cheio na cara, porque Bush, como se viu nas televisões do mundo inteiro, demonstrou bons reflexos e sentido de esquiva, escondendo-se debaixo do púlpito em que falava.Imagine-se em que estado físico terá ficado o jornalista, face ao "tratamento" que lhe foi dado pelos seguranças, em fúria. Bush, quando se recompôs, disse uma graçola de mau gosto e mostrou algum fair play. Disse que os sapatos não eram do seu número. Da sua viagem ao Iraque - que não deve ter custado pouco ao erário americano - foi o que ficou...3. A crise global aprofunda-se na Europa. O ano de 2009 em que vamos entrar vai ser muito difícil. A América, centro da crise, e sua primeira responsável, vai, apesar de tudo, sair das dificuldades primeiro do que a União Europeia, porque terá, como já estamos a ver, uma estratégia única para a vencer, enquanto a União Europeia não tem uma estratégia coordenada. Tem várias, consoante os países, em que cada um trata de si, o que representa exactamente o contrário do que deveria fazer uma verdadeira União.A esse propósito, permito-me aconselhar os meus eventuais leitores a lerem a lúcida e muito informada entrevista que o governador do Banco de Espanha, Fernandez Ordonez, deu ao El País no domingo último (dia 21). Que diz ele?Que a crise é gravíssima, pior do que a de 1929, e sem qualquer paralelo com qualquer das que se seguiram.Porquê? Porque ninguém, escapa à paralisia. "Os consumidores não consomem, os empresários não contratam, os investidores não investem e os bancos não emprestam." E acrescenta: "A crise que estamos vivendo tem dimensões históricas e características globais. Tem uma dimensão enorme. A desconfiança é total. O mercado inter-bancário não funciona e gera circuitos viciosos. Os bancos não se fiam neles mesmos e, assim, a crise pode alargar-se para além de princípios de 2010."Um veredicto muito sério e realista que está a afligir os maiores países europeus e não só. As pequenas e médias empresas em especial, que geram desemprego em cadeia, são o mais grave de tudo.4. E Portugal? Há que reconhecer que não está ainda na situação dificílima de Espanha. Mas vai lá chegar, infelizmente. Não tenhamos ilusões, porque isso é inevitável. Que devemos fazer então? Em primeiro lugar, assumir que o ataque à crise é uma prioridade absolutamente nacional, embora tenha vindo de fora. Assim, todos os portugueses, e o Governo, em especial, devem assumir-se como tal, numa postura nacional, mesmo num ano - 2009 - politicamente complexo, marcado por três eleições sucessivas: europeias, autárquicas e legislativas. Depois, que as respostas para a crise são, em primeiro lugar, sociais e, portanto, predominantemente de esquerda, isto é: socorrer prioritariamente os mais desfavorecidos, os desempregados, os imigrantes, as pequenas e médias empresas.Para tanto, é preciso dialogar com eles e, sobretudo, ouvi-los, com espírito de solidariedade.É óbvio que o Governo não pode deixar que os bancos cessem pagamentos ou entrem em falência. Na medida do possível, é claro. Mas o processo de entrega de milhões aos bancos tem de ser absolutamente transparente e bem explicado aos portugueses. Para os convencer de que a entrega do dinheiro não serve para salvar os prevaricadores - que não devem ficar impunes -, mas tão-só para reavivar a economia real e evitar a paralisia. Nesse sentido, o governador do Banco de Portugal, Victor Constâncio, com a sua autoridade e competência, devia seguir o corajoso exemplo do governador do Banco de Espanha e falar aos portugueses para os convencer da necessidade de dar uma resposta nacional à crise, a pior que conhecemos, desde há muitas décadas.Para tanto o diálogo e a solidariedade institucional e interpartidária, com sindicatos, as diferentes associações de classe e com os cidadãos, em geral, devem constituir uma prioridade absoluta - e permanente - do Governo, ainda que precise de engolir alguns sapos, se quiser ser visto como verdadeiramente nacional, como a crítica situação em que estamos parece exigir.
sábado, 20 de dezembro de 2008
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
S16 - Sapato Voador - A Arma da humilhação
O gesto de praticado pelo é repórter é condenável pelo acto de violência, mas é mais grave o significado do mesmo de humilhação para o Presidente, para o Povo Americano e para os homens da sua segurança.
Em suma, tanto armamento em sistemas de defesa e afinal o presidente americano está ao alcance de uma "chinelada"
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
E ainda...
Na aplicação desta medida, ou sempre que seja necessário alargar o direito a redução de componente lectiva, deve assegurar-se, sempre que possível, a manutenção do professor com a suas turmas, recorrendo, nestes casos, ao serviço docente extraordinário (ver artigo 83.º do Estatuto da Carreira Docente).
Em todo o caso, recomenda-se a leitura do despacho aqui
Ainda sobre a Avaliação dos Professores...
As quotas aplicam-se apenas na atribuição das menções qualitativas de Muito Bom e de Excelente, com o objectivo de distinguir, de forma qualitativa, o mérito dos professores, por referência ao universo em que se inserem.
Está garantido que a progressão na carreira de todos os professores não é afectada, uma vez que a classificação de Bom, para a qual não existem quotas, assegura as condições exigidas para progredir.
Assim, a aplicação das quotas garante que:
* os diferentes grupos de professores não concorrem entre si no acesso às classificações sujeitas a quotas, uma vez que as percentagens definidas são aplicadas separadamente a cada um dos seguintes universos: membros da Comissão de Avaliação; coordenadores de Departamento Curricular ou dos Conselhos de Docentes; professores titulares avaliadores (providos em concurso ou nomeados em comissão de serviço); professores titulares sem funções de avaliação; professores; e docentes contratados;
* em cada grupo de docentes, possa ser sempre atribuída pelo menos uma menção qualitativa de Muito Bom e uma de Excelente, independentemente da dimensão do grupo de avaliados, uma vez que os arredondamentos são sempre efectuados por excesso;
* quando não exista nenhum avaliado com classificação correspondente a Excelente, a quota prevista para esta classificação pode acrescer à quota da menção Muito Bom.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Desmistificação da Avaliação de Desempenho dos Professores
Mito 2 – A avaliação impede os professores de darem aulas.
Não, uma vez que os professores avaliados têm intervenções pontuais no processo, e os horários dos professores avaliadores já integram, regra geral, as horas necessárias ao exercício das actividades de avaliação. Além disso, eventuais necessidades adicionais de redução de horário, na sequência das recentes medidas de simplificação da aplicação do modelo de avaliação, poderão ser ultrapassadas por recurso ao pagamento de horas extraordinárias, de forma a evitar que os professores abandonem as suas turmas.
Mito 3 – O modelo de avaliação de desempenho docente não é exequível.
Mito 4 – Os professores têm que organizar um portefólio exaustivo e complexo.
Mito 5 – As escolas têm que registar o desempenho dos avaliados em instrumentos complexos.
Mito 6 – Os professores avaliam-se uns aos outros.
A avaliação de desempenho docente é feita no interior da cada escola, sendo avaliadores os membros do órgão executivo e os professores coordenadores de departamento, que exercem funções de chefias intermédias. Não se trata, pois, de pares que se avaliam uns aos outros, mas de professores mais experientes, investidos de um estatuto específico, que lhes foi conferido pelo exercício de um poder hierárquico ou pela nomeação na categoria de professor titular.
Mito 7 – Os professores titulares não são competentes para avaliar.
Acederam à categoria de professor titular, numa primeira fase, aqueles que cumpriam critérios de experiência profissional, formação e habilitações considerados fundamentais para o exercício de funções de maior complexidade, como sejam a coordenação do trabalho, o apoio e orientação dos restantes docentes e a avaliação de desempenho. Assim, não é compreensível nem sustentável a ideia de que os cerca de 35 000 professores titulares que existem actualmente, seleccionados, por concurso, de entre os professores mais experientes, não tenham as competências necessárias ao exercício da função de avaliador.
Mito 8 – Avaliados e avaliadores competem pelas mesmas quotas.
Não. As percentagens definidas para a atribuição das menções qualitativas de Excelente e Muito Bom, em cada escola, são aplicadas separadamente aos diferentes grupos de docentes. Está assim, assegurada a atribuição separada de quotas a avaliadores e avaliados.
Mito 9 – A estruturação na carreira impede os professores de progredir.
Mito 10 – A avaliação de desempenho é injusta e prejudica os professores.
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Dias Loureiro a nu e Cavaco despido. Para quem não lê o expresso
Carta a um homem inteligente, meticuloso e cuidadoso
Manuel Dias Loureiro é, indiscutivelmente, um homem inteligente, trabalhador e competente. Por isso se tornou um dos mais importantes militantes do PSD, chegando a secretário-geral dos sociais-democratas. Por isso se tornou um pilar do chamado cavaquismo, exercendo bem os cargos político-ministeriais que ocupou. Por isso, após ter abandonado a política, se tornou num homem de negócios de sucesso. Rico, no dizer de alguns. Com uma vida confortável, segundo o próprio.
Ninguém consegue uma carreira assim sem ser meticuloso e cuidadoso: no primeiro caso tomando nota de todos os factos que possam vir a ser relevantes para esclarecer o passado ou iluminar o futuro; no segundo escolhendo as companhias que permitam chegar ao topo da montanha.
No caso do Banco Português de Negócios, Dias Loureiro diz certamente a verdade - a sua verdade. Mas há factos que, pelo menos, a contraditam. Vejamos.
Em Março de 2001, a revista 'Exame', dirigida pelo jornalista Camilo Lourenço, publica em manchete a notícia de que o Banco de Portugal tinha passado um cartão amarelo ao BPN. Dias Loureiro diz ter ficado muito incomodado e pedido explicações ao presidente da instituição, Oliveira Costa. Este terá respondido que eram notícias infundadas, originadas por invejas. Mas, se ficou incomodado, Dias Loureiro não o disse a Camilo Lourenço. Pelo contrário, segundo a versão do jornalista,, telefonou-lhe a dar conta do seu desagrado pelo forma como o BPN tinha sido tratado; a dizer-lhe que o assunto tinha criado um problema de imagem ao banco; que Oliveira Costa estava muito "incomodado" e pensava processar a revista (o que fez, tendo esta de pagar milhares de euros num acordo extrajudicial). Primeira contradição.
Na sequência do artigo, Dias Loureiro insiste que ficou tão preocupado que decidiu ir ao Banco de Portugal em 29 de Abril de 2001 (notável precisão!), num encontro intermediado por Miguel Beleza, para falar com o vice-governador António Marta, responsável pela supervisão. Objectivo: pedir-lhe que, embora sem ter conhecimento de nada, "tivesse uma atenção especial ao BPN", já que o modelo de gestão do banco não lhe inspirava confiança e havia accionistas que sentia que faziam negócios com a instituição.
Como é conhecido, António Marta desmente de forma peremptória ("ou está a fazer confusão com a pessoa ou a mentir"), sustentando que o que Dias Loureiro lhe foi perguntar é porque o Banco de Portugal andava tão atento ao BPN, além de afirmar que as pessoas à frente do banco eram tudo "boa gente". Segunda contradição.
Mas para quem estava tão preocupado com a falta de transparência da gestão do banco (queixa-se que Oliveira Costa fazia poucas reuniões, não falava com ele e não havia actas), Dias Loureiro fez pouco. Como jurista, sabe que as sociedades são obrigadas a reunir o conselho de administração e a fazer actas das suas reuniões. Desses factos concretos, que se saiba, não apresentou queixa ao Banco de Portugal. Terceira contradição.
Mais extraordinário é que nesse mesmo ano da graça de 2001 o próprio Dias Loureiro tenha apresentado a Oliveira Costa o empresário porto-riquenho Hector Hoyos; que tenha sido o próprio Dias Loureiro a sugerir a Oliveira Costa a aquisição de duas empresas tecnológicas de Porto Rico, pertença daquele empresário; que as negociações tenham decorrido na casa de Dias Loureiro, no Estoril; que após o acordo sobre o negócio, envolvendo 71,25 milhões, Dias Loureiro e Oliveira Costa se tenham deslocado a Porto Rico para o concretizar; que os dois tenham constatado que nenhuma das empresa tinha activos tangíveis, a não ser um escritório em San Juan de Porto Rico, que fechou poucos meses depois; e que o dinheiro em causa se evaporou, perdendo-se em contas "offshore".
Sabendo de tudo isto, a cereja em cima do bolo é que Dias Loureiro tomou como boas as explicações de Oliveira Costa para o facto da operação não constar nas contas do banco de 2001 - e assinou-as. Quarta contradição.
Ora um homem inteligente, meticuloso e cuidadoso não se dá com pessoas como o senhor Hoyos; muito menos propõe negócios com tais pessoas; e ainda menos através de zonas "offshore". Dias Loureiro tem, pois, de se esforçar um pouco mais nas suas explicações para nos provar que merece continuar a ocupar o alto cargo de conselheiro do Estado da República Portuguesa. Ou que passou a ter uma vida confortável, nas suas palavras, exclusivamente como resultado do seu enorme talento e do seu inusitado esforço. Porque, como escreveu Pacheco Pereira na 'Sábado', "ficar milionário do nada, tornar-se um grande capitão de negócios "ex nihilo", um superadvogado de grandes negócios, um dono de empresas valendo milhões, isso é impossível acontecer com um salário de deputado ou de ministro".
P.S. - O Presidente da República resolveu divulgar um comunicado, esclarecendo que não tem qualquer envolvimento no caso BPN. Não exerceu funções, não recebeu remunerações, nunca comprou ou vendeu nada ao BPN e às suas empresas, nem contraiu nenhum empréstimo junto desta instituição. Cavaco Silva é um homem íntegro, de uma honestidade acima de qualquer suspeita. Por isso mais se estranha que, no comunicado que publicou, não tenha esclarecido que foi accionista da Sociedade Lusa de Negócios por um curto período até 2003, assim como a sua filha. Para quem queria acabar com todas as dúvidas, faltou lamentavelmente esta referência.
Nicolau Santos
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